BISCAINHO ONLINE (actualidade sobre a povoação e concelhos limítrofes)

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Uma entrevista

(in http://www.omirante.pt/)
Começou esta manhã em Coruche a primeira Feira Internacional da Cortiça FICOR. O Observatório da Cortiça e do Sobreiro foi inaugurado esta manhã e ao longo de três dia há um programa científico e social cheio de iniciativas. Sempre com a cortiça a dar o mote. Esta noite há desfile de moda organizado por Ana Maria Lucas com modelos vestidos com cortiça e amanhã há a maior prova de vinhos do mundo antes da corrida de toiros da RTP.
O presidente da câmara e presidente da assembleia-geral da Rede Europeia de Produtores de Cortiça, Dionísio Mendes antevê o certame que vai colocar Coruche no centro do mapa do mundo da cortiça.
O que é que vai mudar depois da Feira Internacional da Cortiça em Coruche?
É uma feira que vai ter repercussão na fileira da cortiça a nível nacional e internacional e será o reafirmar de Coruche como Capital Mundial da Cortiça porque somos os maiores produtores e também pela industria onde produzimos cinco milhões de rolhas por dia. No futuro Coruche será um centro de investigação centralizado no observatório do sobreiro e da cortiça.
O senhor vai presidir à Assembleia Geral da RETECORK que reúne os produtores europeus de cortiça…
É um acontecimento importante onde iremos abordar varais preocupações do sector com alguns dos maiores produtores.
Segue-se um debate com especialistas de peso…
Vamos ter um debate moderado pela jornalista Fátima Campos Ferreira (moderadora do Prós e Contras da RTP) com alguns dos maiores especialistas do mundo onde iremos abordar o potencial da cortiça e ligá-lo ao vinho, outro produto com forte peso na região, e que queremos projectar a nível internacional.
Esta feira com várias iniciativas mediáticas vai colocar o município de Coruche no mapa da actualidade?
Esse é um dos nossos objectivos. Num ano de crise queremos, em contra-ciclo, incentivar a recuperação do sector da cortiça e promover outros aspectos do nosso concelho.
O Governo anunciou há dois meses um apoio de 180 milhões de euros para a indústria da cortiça e por arrastamento isto vai estimular a produção e haverá mais procura. Esperamos que o senhor ministro da Agricultura anuncie em Coruche as medidas de apoio aos produtores. Não podemos esquecer que a cortiça tem um potencial de crescimento enorme.
Há ideias novas para a aplicação da cortiça. O edifício do observatório de Coruche dá o exemplo?
Temos boas ideias para a aplicação da cortiça nos revestimentos dos prédios, mas também na moda (vestuário, calçado e acessórios) na arte e até nos automóveis. A Mercedes anuncia um modelo topo de gama em que parte dos interiores são em cortiça e que vai ser um êxito, substituindo as madeiras exóticas.
Quando as rolhas de cortiça são substituídas por materiais mais baratos, há que encontrar alternativas para escoar a cortiça produzida?
O problema dos vedantes alternativos está a ser avaliado e é uma preocupação do sector, mas temos que dar melhor destino aos sobrantes da indústria da rolha e à cortiça de menor qualidade que vai para aglomerado, mas pode ter outra utilização nos revestimentos, pavimentos e até ser utilizada como material plástico como se pode ver no auditório do observatório onde há um fresco sobre as paredes de cortiça.
É um bom ensaio da cortiça como material de suporte para aplicação de tintas em obras de arte.
O observatório é uma obra de referência neste sector?

Foi feliz a escolha da cortiça para aplicar em vários locais do edifício provocando alguma admiração mas que facilmente se esbate. Tem situações inéditas, é um projecto muito bem conseguido com a imaginação do arquitecto e pode virar moda.
Quanto custa esta obra?
Tem um custo final de 1,5 milhões de euros e foi financiado a 75 por cento pelo Programa Valtejo. É um investimento reprodutivo para a região e para o país porque vai centralizar a investigação num sector determinante e vai ser um pólo de atracção de investigadores universitários de vários pontos do mundo. Temos contactos com várias faculdades e institutos e vamos criar condições para que os investigadores pernoitem em Coruche na residência estudantil que será alargada. Essa permanência é importante porque são pessoas que vão passar algum temo em Coruche e darão mais vida à vila.
Para além da investigação haverá também formação profissional no observatório?
Já estabelecemos um acordo com o Instituto de Emprego e Formação Profissional para que o observatório receba acções de formação nas mais variadas áreas do sector. Já existe um centro no Norte, mas no Sul não há nada. Queremos que os operários da indústria corticeira, e os tiradores de cortiça possam fazer aqui a sua formação. Até aqui havia apenas uma aprendizagem empírica, prática, mas queremos evoluir para desta forma melhorar a rendibilidade do sector. Queremos que as boas práticas no montado aconteçam ao longo de todo o ano. Quem trabalha no sector tem de conhecer a árvore e o ecossistema.
Os produtores e industriais estão sensibilizados para a importância da formação?
Sem dúvida. Eles perceberam que se estiverem preparados, melhor será a capacidade de reacção em momentos adversos e melhor será a produção. Uma cortiça de melhor qualidade dará melhor produto para a indústria e valerá mais no mercado. Todos temos a ganhar com a certificação da qualidade no montado e na cortiça.
posted by sorraia.blog at 09:08

0 Comments:

Enviar um comentário

<< Home